As Aventuras de Tintim - Um clássico das HQs Européias
- 31 de jan. de 2015
- 6 min de leitura
Fala gente!! Saudades das postagens?
Ontem foi o dia Mundial do Quadrinho, e hoje completei a minha coleção de HQs do famoso reporter belga Tintim, criado por Hergé.
Acho que todo mundo já ouviu falar, e principalmente quando lançaram o filme em 2011, a franquia ganhou fama novamente, mas pouca gente sabe como começou as aventuras do repórter mais famoso dos quadrinhos, que tem o dom de entrar em casos misteriosos com seu cãozinho Milou e acaba sendo manchete dos jornais, ao invés de publica-las.

Tintin começou a ser publicado pelo cartunista belga Hergé, em janeiro de 1929, no jornal do país "Le Petit Vingtième" com tirinhas semanais em um suplemento destinado para as crianças, e aproveitando o momento histórico em que a Europa vivia, em se reerguer da guerra e ainda engolindo o governo implantado na Rússia, agora chamada de União Soviética, o cartunista usou o cenário para inserir seu personagem, um jovem repórter audacioso que encara a aventura de conhecer os segredos do país dos Sovietes. Esse álbum foi a primeira história e é legal reparar os primeiros traços: para começar, Tintim não tinha ainda o famoso topete que lhe é característico, foi depois de uma fuga de carro nesse mesmo álbum, que ele adquire o cabelo para cima, e fica a partir de então. Outra coisa legal de reparar é que Milou (isso mesmo, Milou, não Milu ou Snowy) tem falas nos quadrinhos (não só no primeiro álbum, mas em todos) é chegam a ser engraçados, e também o traço dele é bem diferente, com um pelo mais espetado.
Esse album recebeu muitas criticas nos últimos anos, pela forte critica feita ao governo comunista de forma exagerada e caricata, talvez eis o motivo que esse primeiro álbum não tenha participado da conhecida série animada das Aventuras de Tintim dos anos 90 e nem tenha virado inspiração para filmes, apesar do enredo ser mais elaborado e politizado que os outros. Vai entender...

Agora que fiz uma breve introdução do inicio das história, vou apresentar os personagens, pelo menos os principais (porque são muitos), que compõem essas aventuras, e que sem eles, não teria a mesma graça!

Tintin, um jovem rapaz de cabelos meio ruivos, que aparentemente está entre a adolescência e a juventude (Hergé nunca revelou a idade de seu personagem), belga (como sei disso? aha! Anos lendo e vendo a série, e no episódio "O caranguejo das pinças de ouro" ele fala que vem de Bruxelas). Com um espirito corajoso, curioso e de um caráter nobre (o típico herói correto, que trabalha, sem atitudes repreensíveis, como atirar e matar o bandido, beber, fumar, etc. um rapaz exemplar), ele tem o dom de conseguir entrar nas mais esquisitas enrascadas, sempre envolvido em casos misteriosos envolvendo gangues, espiões, maviosos, criminosos, ladrões e traficantes de drogas e entorpecentes (principalmente Ópio, a droga da época) e outras espécies de bandidos e vilões que eram sempre desbancados por Tintin, através das investigações e respostas que descobria no decorrer da história.
É difícil falar de Tintin e não falar de seu fiel e inseparável parceiro de aventuras canino, Milou, o

fox terrier que sempre acompanha Tintin onde ele vai, e muitas vezes, responsável por salvar a pele do repórter, mordendo os bandidos, roendo as cordas que o prendem, ou ajudando a achar pistas com seu faro. Milou, apesar de ser um cão muito inteligente, não é sempre santo, as vezes se envolve em problemas causados por ele mesmo, tem uma quedinha de leve por álcool (isso mesmo, ele as vezes fica meio bêbado), e trocando a ajuda que Tintin precisa por um osso ou para correr atrás de um gato (ou outro animal qualquer), e também sendo responsável, pelo menos nos quadrinhos, pelos comentários críticos e sarcásticos, acabando por ter um senso de humor peculiar. O cãozinho tem variações do nome ao redor do mundo, mas originalmente é Milou.

E outro grande amigo de Tintin é o Capitão Haddock, um velho lobo do mar que entra nas histórias depois de sua tripulação de amotinar contra ele e servir de cargueiro contrabandista, e Tintin investigar o caso e conhecer o homem. Haddock é o completo oposto de Tintin, ele é beberrão, gosta de fumar seu cachimbo, mas não recusa um bom charuto e é extremamente pavio curto, xingando muitas vezes os bandidos de peixes de água doce (um dos muitos xingamentos esquisitos do repertório dele) e esbravejando "com mil raios e trovões!". Só conseguiu sobreviver por uma herança de família que o presenteou com o Castelo Moulinsart e certo dinheiro que o mantém. Mas a bem da verdade, é que Haddock é um dos personagens mais "humanos" do quadrinho, pelo fato de ter grandes falhas que sempre geram situações engraçadas.

Outra figura engraçada da história é o Professor Girassol, um cientista surdo, tudo que seus colegas falam, ele entende uma coisa completamente diferente, causando situações embaraçosas, porque acaba agindo pelo que ouve, e como ouve tudo de maneira equivocada, dá para imaginar as coisas que acontecem, além disso sempre está com um pêndulo que acredita indicar direções. Entretanto, Girassol pode ser atrapalhado, mas tem seu credito em invenções, como um mini submarino em formato de tubarão e ajudar na construção de um foguete. Isso prova que sua deficiência auditiva não prejudica seu gênio. só as vezes...

E os marcantes e inesquecíveis detetives Dupond e Dupont, que são muitíssimos parecidos, mas não são gêmeos, e descobrimos isso, nos quadrinhos pelo sobrenome diferenciado por uma letra (o T e o D) e pelo formato do bigode, que é a única forma de diferencia-los fisicamente, mas Hergé teve como objetivo com esses dois mostrar a estupidez burguesa e a incoerência de se fazer cumprir a lei em certas situações, em que para cumpri-la, se prenderia até um amigo inocente. E Hergé conseguiu, esses dois policiais estúpidos tiram risadas, e diria mais, grandes risadas! Disfarces ridículos, perseguições sem resultados, e a dificuldade de prender um criminoso sem a ajuda de Tintim mostra uma imagem caricata de algumas autoridades, sejam elas antigas ou atuais, ainda existem Duponds e Duponts por ai.

Bom, e falar de heróis sem vilões não acontece, principalmente em quadrinhos. Tintin teve muitos vilões no decorrer de suas aventuras, é praticamente um para cada álbum, mas sempre havia um que era o ícone, que tinha maior participação, que sempre perseguia o repórter que atrapalhava seus planos (e que eu sinceramente achava mais cotado para o primeiro filme).R. J. Rastapopoulos, um milionário e empresário com diversas acusações na ficha criminal, como formação de quadrilha, trafico de entorpecentes, falsificação ideológica (ele sempre mudava de nome e aparência para fugir de seus crimes), mas todas as suas ações davam errado quando Tintim entrava no caso. Ele tentou matar o rapaz diversas vezes, mas não conseguiu, entretanto sempre fugia da policia, por que será né?
As Aventuras de Tintin se resumiram em 24 álbuns com histórias na Europa, África, Ásia, Oceania, América do Sul, Central e do Norte e até para a lua Tintim e sua turma já foram! Enfrentando vilões, resgatando artefatos históricos, desmascarando bandidos, sobrevivendo em desertos e mares, Tintim recebe sua fama de repórter, mas nem tudo são flores. Alguns álbuns receberam criticas pesadas, como "Tintin no Congo" (o mais criticado de todos, e que também não ganhou episódio animado na série televisiva) pelo modo imperialista que Hergé colocou os outros povos, mas com o decorrer das histórias isso vai mudando, Tintin começa a lutar pela independência das colônias sul-americanas em seus álbuns mais recentes. Eu acredito que a visão europeia dos quadrinhos de Tintim se deve pelo período, era a forma de enxergar o mundo daquela época.
São no total 24 álbuns, que são traduzidos e vendidos aqui no Brasil pela companhia das Letras.

O último, "Tintin e a Alpha-Art" não foi terminado por conta da morte de Hergé, o álbum ficou inacabado, tendo apenas alguns esboços e o rascunho do roteiro do que seria essa ultima história do repórter, e essa edição possui esse roteiro e esboços, entretanto existe uma outra versão terminada (seguindo esses esboços) pelo desenhista Rodier, vale a pena conferir os dois e imaginar o que Hergé acharia dessa versão final!

Tintim teve uma animação televisiva nos anos 90 que foi transmitido por anos aqui no Brasil pela TV Cultura (muita gente dessa geração conheceu as histórias assim), em que praticamente todos os álbuns foram adaptados, exceto "No país dos Sovietes", Tintim no Congo" e "Alpha-Art", os motivos já foram ditos. Em 2011 foi feito o filme (já mencionado no primeiro parágrafo do post) e muita gente pode retomar o contato e matar a saudades, além de se surpreender com a evolução do enredo e do personagem.
Para quem algum dia for visitar Bruxelas, também não pode esquecer de visitar o Musée Hergé, o museu feito em memória do cartunista e dedicado aos trabalhos feitos por ele, não apenas Tintim, mas os outros tantos perosnagens que, quem sabe futuramente falemos deles.

MPacheco

















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