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Uma piada de mal gosto? - Capa da Batgirl #41 deu o que falar

  • 30 de mar. de 2015
  • 4 min de leitura

Sendo muito fã do universo Batman, que envolvem não só o cavaleiro das trevas, mas também seus pupilos, gosto de ficar antenada nos lançamentos, principalmente esses dois anos (2014 e 2015) em que esse universo completou 75 anos, e estão sendo lançadas muitas edições especiais.

Além do Batman, seu vilão mais icônico, Coringa, também está fazendo 75 anos, e por isso 25 cartunistas foram convidados para fazer capas variantes para comemorar, mostrando a trajetória do vilão contracenando com os heróis do Universo Batman. Uma dessas capas, mais especificamente da edição que ainda será lançada de #41 da Batgirl que foi criada pelo cartunista brasileiro Rafael Albuquerque, causou um enorme rebuliço entre as fãs da heroína, que alegaram incetivar a violência contra a mulher.

Ao ver a reação gerada quando a capa foi divulgada, Rafael pediu para a DC comics não publicar sua obra, a editora de quadrinhos concordou, mas a discussão não cessou, e repercutiu a semana toda, não exatamente pela capa, mas pela sua inspiração e a falta de compreensão das novas fãs, e se de fato era motivo para tanto alarde.

A questão não era liberdade de expressão, que foi discutida também, mas se seria agradável ver uma heroína nessa situação?

Eis a capa:

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A capa criada por Rafael foi inspirada em um dos momentos mais icônicos dos quadrinhos, do Universo Batman e da trajetória de Batgirl. Ela se refere a edição "Piada Mortal", em que Coringa quer provar sua teoria que um momento ruim no dia pode enlouquecer a vida de alguém, como acabou acontecendo com ele próprio (a história dele é finalmente revelada). Coringa então sequestra o comissário Gordon, e atira em sua filha, Barbara Gordon, a Batgirl. A partir dai, Barbara fica paraplégica, é obrigada a deixa o manto ao lado do morcego e se tornar Oráculo, a informante dos grandes heróis da DC. Foi um marco na vida da heroína que foi uma desventura, uma tragédia causada pelo Coringa.

Quem quiser ler a história:

https://docs.google.com/file/d/0BzlmSNXHpdrsZlZfUkUxWnIwZzA/edit

Enfim, para os fãs veteranos que leram essa história e conhecem a versão original ou mais antiga da Batgirl, gostaram da homenagem feita, não viram nada de mais, forte? Sim, foi um momento extremamente forte e violento para Barbara, mas ela superou, continuou sendo uma heroína apesar do incidente.

Entretanto, no universo novo da DC, feito em 2011 um rebot total dos heróis, Barbara volta a andar, ela é completamente recriada pela DC, se torna uma jovem inserida nos tempos atuais que curte tirar selfies, moderna e vivaz. O objetivo da editora é justamente atrair o público adolescente para ler as histórias da Batgirl, e conseguiram, com essa pegada feminista e inspiradora, o sucesso foi imediato, porém poucas dessas novas fãs sacaram a referência de Rafael, e sim, estou dando minha opinião, também não sabem o verdadeiro desafio que ela passou depois do tiro disparado pelo Coringa.

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Agora, o que houve foi um conflito de Gerações, aquela geração que conheceu antiga Batgirl, antes desse rebot e sabe o seus histórico e essa nova geração que foi apresentada para uma nova heroína, que está aprendendo ainda a conhecer sua história. O problema é que nem uma e nem outra conseguiram entender o ponto de vista de cada uma. A DC não foi tão correta em mudar Barbara só para adquirir mais vendas (ok que no mundo nos negócios é assim), mas é bom ter novos leitores, principalmente leitoras, um público mais difícil de ser conquistado por HQs, porém esses novos leitores tem que entender que os quadrinhos de heróis nunca vão ser as mil maravilhas, nem para as heroínas, mas ai está o diferencial, elas lutam tanto quanto qualquer herói homem, dão a volta por cima, e se hoje isso ficou mais mole, então continuo preferindo as edições mais antigas.

Fãs novos, aprendam a ler as edições antigas para conhecer o histórico do herói, é um bom jeito de se aprofundar nesse novo universo que você está entrando. Fãs veteranos, experimentar algo novo também é bom, e apesar de serem aconstumados aos fatos trágicos das HQs (principalmente em Batman) aprendam que nem sempre quem está começando agora (jovens de 14 a 17 anos) é um público preparado para receber cenas fortes como "Piada Mortal" teve (verdade seja dita), e por isso acaba se sensiblizando com tal capa.

Conclusão" Respeitemos os diversos universos e gerações de HQs, e ninguém se desentende ou faz mimimi na internet. Aos fãs que curtiram a capa, ela está na rede. Para os que não curtiram, ela não será publicada em seu respeito.

Rafael Albuquerque tomou uma sábia decisão para apartar as discussões e para mostrar consideração ao seu público e a DC agiu de forma coerente.

Quanto a pergunta da resposta feita no começo do post, eu digo, ninguém gosta de ver um herói ou heroína numa situação daquela, sem reação ou a possiblidade de, mas o que importa e como essa mesma heroína consegue se erguer novamente, melhor e mais forte.

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